- A pessoa mais interessante que eu posso ser.


Sempre que eu começo a ler um texto que fala sobre como ser uma pessoa feliz, uma pessoa realizada ou bem sucedida eu me sinto um fracasso. Nesses textos, as pessoas são sempre destemidas, é como se para atingir a felicidade você precisasse ser inconsequente, não ligar pra nada e nem para as pessoas ao seu redor, apenas juntar suas coisas, falar um fode-se e se jogar pelo mundo.
Tem dias que eu realmente acordo com essa vontade de ser destemida, de mandar o meu chefe ir a merda quando ele me manda aumentar a porcaria do logotipo pela décima vez, ou quando ele banco o sabichão arrogante em uma reunião de pauta. Às vezes eu também tenho vontade de mandar o meu personal a merda, meu namorado, meu cachorro e até aquela quina filha da puta que encontrou com o meu dedinho no pé em uma curva mal planejada. Nesses dias eu costumo aumentar a minha dose de consumo de chocolate e me permito desejar jogar tudo pro alto, pegar minha mala e sair por ai, sendo feliz.
O maior problema desses textos é que ele nunca considera as pessoas envolvidas com você, a sua situação financeira e nem as necessidades que você tem. Quando você sente vontade de abandonar tudo, isso inclui as pessoas que você convive, e não vale usar a justificativa de que está mantendo só quem te faz bem, as vezes você nem imagina, mas você pode se afastar de uma pessoas que você faz um bem danado e se não fosse essa necessidade de procurar a felicidade em tudo, essa pessoa também iria te fazer um bem enorme. Quanto ao dinheiro e as necessidades não adianta ser hipócrita e dizer que isso é algo simples de se virar, é lógico que podemos sim nos desligar de alguns padrões e de alguns consumismos, mas ainda sim temos algumas necessidades, que variam de pessoa pra pessoa, e as vezes o que você considera banal, pra outra pessoa pode ser mais importante que qualquer coisa e acho muito injusto julgar alguém por isso.
Um vez, dentro de uma das minhas muitas horas de terapia, minha psicóloga me falou algo que me incomodou e eu não soube ao certo o motivo, ela me falou sobre essa necessidade de temos de nos questionar sobre a felicidade, sobre o excesso de “e se” que usamos em nossas vidas. Quando eu me questiono sobre as minhas escolhas na minha vida, eu sempre acredito que escolhi a pior opção, que “SE” eu tivesse escolhido o outro caminho eu estaria feliz, e o que eu vim a entender um tempo depois daquela seção é que as vezes eu não me dou conta, mas eu já sou feliz, não da maneira idealizada como esses textos trazem, eu nunca mandei meu chefe a merda, continuo pagando uma pessoa pra me fazer ficar suada, cansada e as vezes de mal humor (endorfina, não trabalhamos), continuo namorando o mesmo cara, tenho o mesmo cachorro e vira e mexe eu ainda trombo com aquela quina filha da puta, mas do meu jeito, no meu dia a dia, os acontecimentos dele me fazem feliz.
Essa necessidade que a gente tem de se libertar para ser feliz, é algo que já virou crença, quase uma lenda, o que a gente as vezes precisa fazer é parar um pouco e olhar ao redor, as vezes você só não é feliz porque não consegue olhar em volta e aproveitar aquilo que você tem e quem está perto de você. Não é preciso ser destemido, mandar tudo a merda, basta apenas olhar para tudo com o seu coração e sentir a vida de uma maneira diferente. O segredo da vida feliz é se deixar levar, se divertir com o que se tem e saber fazer do limão uma limonada.




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